A DOR INVISÍVEL DO TDAH: UMA ANÁLISE NEUROBIOLÓGICA E COMPORTAMENTAL DA DISFORIA SENSÍVEL À REJEIÇÃO (RSD) EM ADULTOS
DOI:
https://doi.org/10.63330/sasciencesv6n2-021Palavras-chave:
Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, Regulação Emocional, Disforia Sensível à Rejeição, Neurociência Cognitiva, Terapia Cognitivo-ComportamentalResumo
Introdução: O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em adultos manifesta-se para além dos déficits cognitivos operacionais clássicos descritos no DSM-5. A Dificuldade de Regulação Emocional (DRE) configura-se como um pilar intrínseco do transtorno, destacando-se o constructo clínico da Disforia Sensível à Rejeição (RSD). A RSD caracteriza-se por episódios reativos de dor emocional lancinante diante de críticas ou exclusões percebidas. Objetivo: Analisar as bases neurobiológicas da RSD no TDAH e discutir como esse curto-circuito afetivo atua como catalisador dos fenótipos de agrado crônico (people-pleasing), perfeccionismo paralisante e esquiva social preventiva na vida adulta, integrando-os às diretrizes de manejo farmacológico e psicoterápico. Metodologia: Realizou-se uma revisão integrativa da literatura com buscas nas bases de dados PubMed, Scopus e SciELO, englobando artigos empíricos e revisões publicados no horizonte temporal de 2016 a 2026, utilizando descritores controlados (MeSH/DeCS) e termos livres combinados por operadores booleanos. Resultados e Discussão: As evidências demonstram que a RSD decorre de uma quebra de conectividade funcional entre o córtex pré-frontal e a amígdala (falha no controle top-down), associada à hipofunção dopaminérgica e à hiperativação do córtex cingulado anterior dorschal, o qual processa a exclusão social de forma homóloga à dor física real. Como mecanismo de defesa contra o sofrimento visceral, o indivíduo desenvolve estratégias comportamentais desadaptativas crônicas. O manejo clínico eficaz requer intervenção combinada: estabilização neuroquímica imediata por meio de agonistas alfa-2 adrenérgicos e estimulantes dopaminérgicos, associada à reestruturação cognitiva via Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e regulação de crises por meio da Terapia Comportamental Dialética (DBT). Conclusão: A RSD impõe prejuízos funcionais severos ao adulto com TDAH. O refinamento dos protocolos de triagem e o desenvolvimento de escalas psicométricas específicas são urgentes para consolidar a precisão diagnóstica e a eficácia terapêutica na clínica contemporânea.
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