MAGNIFICA HUMANITAS NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DIGNIDADE HUMANA, COLONIALIDADE DO SABER, INTERCULTURALIDADE E PLURALIDADE DE CONHECIMENTOS
DOI:
https://doi.org/10.63330/sasciencesv6n2-158Palabras clave:
Colonialidade do saber, Conhecimentos indígenas, Dignidade humana, Inteligência artificial, Interculturalidade, Magnifica HumanitasResumen
Este artigo analisa a carta encíclica Magnifica Humanitas, de Leão XIV, sobre a salvaguarda da pessoa humana no tempo da inteligência artificial, articulando-a com a reflexão de Bento XVI acerca da técnica e do desenvolvimento humano integral e, principalmente, com debates latino-americanos sobre colonialidade do poder e do saber, interculturalidade crítica e pluralidade epistemológica. A pesquisa é qualitativa, bibliográfica e documental, fundamentada na leitura da encíclica, da Caritas in veritate e de autores como Aníbal Quijano, Catherine Walsh e Gersem Baniwa, além de estudos sobre colonialismo de dados e ética da inteligência artificial. Sustenta-se que os sistemas de IA não apenas processam informações: eles selecionam, hierarquizam e tornam visíveis determinadas formas de conhecimento, podendo reproduzir assimetrias históricas quando línguas, cosmologias, saberes territoriais e epistemologias subalternizadas estão ausentes ou aparecem de forma distorcida nos dados de treinamento. A expressão utilizada por Leão XIV, “assimetria epistêmica”, permite aproximar a crítica social da encíclica das discussões decoloniais sem apagar as diferenças entre seus fundamentos. O artigo examina ainda colonialismo de dados, soberania informacional, educação intercultural, conhecimentos indígenas, humanidades e responsabilidade ética. Conclui-se que uma inteligência artificial verdadeiramente orientada ao bem comum deve ser tecnicamente plural, socialmente participativa e epistemologicamente aberta, reconhecendo os povos e comunidades não como fontes passivas de dados, mas como sujeitos de conhecimento, decisão e direitos.
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