GUARDAR A DEMOCRACIA OU ENTERRÁ-LA? UMA CRÍTICA MATERIALISTA A “COMO AS DEMOCRACIAS MORREM”
DOI:
https://doi.org/10.63330/sasciencesv6n2-149Palavras-chave:
Crise democrática, Levitsky e Ziblatt, Neoliberalismo, Populismo, Teoria democráticaResumo
Este artigo propõe uma análise crítica do livro Como as democracias morrem (2018), de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, a partir de um referencial teórico de esquerda. Parte-se da hipótese de que a obra, embora diagnostique corretamente a erosão das normas democráticas, o faz a partir de um marco liberal-institucionalista que limita radicalmente seu potencial explicativo e normativo. A crítica se desdobra em quatro eixos: a concepção procedimental de democracia, que esvazia seu conteúdo substantivo; o elitismo da tese dos "guardiões" partidários; o apagamento das estruturas econômicas — neoliberalismo, financeirização e desigualdade — como causas da crise democrática; e a condenação indiferenciada do "populismo", que equipara projetos de esquerda e de direita. Conclui-se que, ao situar a ameaça à democracia no comportamento de líderes e na erosão de normas, o livro produz uma defesa conservadora do status quo que imuniza as causas estruturais que ele próprio lamenta não combater.
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