PANCREATITE MEDICAMENTOSA: REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE EPIDEMIOLOGIA, DIAGNÓSTICO E MANEJO
DOI:
https://doi.org/10.63330/sasciencesv6n2-147Palavras-chave:
Diagnóstico, Manejo terapêutico, Pancreatite aguda, Pancreatite medicamentosa, Reações adversas a medicamentosResumo
A pancreatite induzida por medicamentos (PIM) é uma reação adversa rara, porém potencialmente grave, responsável por aproximadamente 0,1% a 5% dos casos de pancreatite aguda. O aumento do uso de medicamentos, especialmente psicofármacos e agentes incretinomiméticos empregados no tratamento da obesidade e do diabetes mellitus tipo 2, tem ampliado o interesse sobre sua toxicidade pancreática. Esta revisão sistemática teve como objetivo analisar aspectos epidemiológicos, diagnósticos e terapêuticos da pancreatite medicamentosa, com base em evidências publicadas entre 2011 e 2026. Os achados indicam potencial pancreatotóxico em diversas classes, destacando-se inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), imunossupressores, antimicrobianos, anticonvulsivantes, benzodiazepínicos e agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1RA). Dados de farmacovigilância e estudos observacionais apontam aumento das notificações associadas à semaglutida e a outros GLP-1RA, embora a causalidade ainda necessite de evidências mais robustas. O diagnóstico baseia-se na presença de dor abdominal compatível, elevação de amilase e/ou lipase superior a três vezes o limite superior da normalidade e alterações pancreáticas em exames de imagem, com exclusão de causas frequentes, como colelitíase, hipertrigliceridemia e etilismo. A relação temporal entre exposição, sintomas e resposta à suspensão do medicamento é fundamental para estabelecer a imputabilidade. O tratamento consiste na retirada do fármaco suspeito e no manejo da pancreatite aguda, incluindo hidratação, analgesia, suporte nutricional e monitoramento de complicações. Conclui-se que o reconhecimento precoce e a farmacovigilância são essenciais para reduzir morbidade, prevenir recorrências e promover o uso racional de medicamentos.
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